CANTANTES

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Gente que canta

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A MÚSICA NO ESPAÇO

Publicado por Marcio-geec em 02/8/2006 (377 leituras)
Léon Denis


“Como conclusão ao que expus a respeito da arte musical no espaço, vou tentar fazê-los compreender as sensações harmônicas experimentadas pelo espírito nas esferas onde vivemos. Em nossa última conversa falamos das correntes provocadas por seres angélicos. Resta-nos falar dos “trens de ondas” (expressão retirada do cérebro do médium, que possui algum conhecimento sobre telegrafia sem fio). Tomaremos, portanto, como termo de comparação, esse telégrafo sem fio que lhes dá uma primeira idéia desses trens de ondas harmônicas dos quais lhes falarei.

“Recentemente vocês me interrogavam a respeito da música das esferas. Eis sua explicação: forças dirigidas por vontades superiores produzem uma corrente fluídica cuja potência vibratória é considerável mas uniforme. Essas ondas vão percorrer um espaço imenso e impressionarão espíritos menos evoluídos do que aqueles que podem abordar as esferas musicais das quais lhes falamos; esses espíritos, menos evoluídos, possuem ao menos por seu perispírito a faculdade de sentir certas ondulações. Tocando esses seres, que são em grande número, as ondas, segundo sua velocidade, produzem uma vibração que se traduz sobre todos os espíritos por uma repentina iluminação. Qualquer espírito que encontre essa corrente no espaço sentirá seu perispírito colorir-se de tonalidade mais viva segundo a intensidade da corrente emitida, e através dela, sentirá uma satisfação adequada à coloração.

Como em geral esses trens ou correntes de ondas são provocados por sentimentos que emanam de seres quase angélicos ou divinos, vocês podem conceber que se pode compará-los a banhos de azul celeste apagando, tanto quanto possível, as paixões, que são ainda um resquício de matéria. Se a vontade do espírito que os percebe é suficiente, ele pode com eles se beneficiar amplamente, pois essas ondas constituem uma espécie de transmissão que pode auxiliar em sua elevação, uma vez que elas emanam das regiões divinas.

“Essas correntes giram com freqüência em torno dos mundos e purificam sua atmosfera. Quando partem de um ponto diferente, essas correntes se revestem de cores distintas que podem se confundir e determinar uma dupla sensação. Assim se explica o que lhes disseram certos espíritos, que falam que no espaço “ouvem-se liras vibrando”.

“Em geral a tonalidade permanece a mesma, sendo a palavra tonalidade tomada no sentido de cor. Para nós a cor exprime as sensações colhidas pelo pensamento. Porém muitos seres permanecem insensíveis a essas correntes devido a sua pouca evolução. Alguns há que preferem as sensações produzidas por antigas paixões carnais, e as procuram; outros, impressionados por essas correntes, pedem através da prece para penetrar em esferas onde o êxtase é mais habitual.

“Vocês sabem que no espaço os planos são diversos, porém Deus permitiu que todos os seres tivessem consciência de seus bons atos. Os prazeres experimentados não se comparam aos que vocês poderiam experimentar olhando um belo quadro ou ouvindo um trecho de música: as sensações são muito mais completas e não são absolutamente mecânicas como as de vocês. A música terrestre é resultante de choques mais ou menos violentos sobre um metal, ou da passagem de ar numa substância sonora, enquanto que a música do espaço traduz-se através de sensações cuja gama sobrepõe-se de graus coloridos! Cada cor, cada feixe colorido, tocando o perispírito, transmite-lhe impressões mais elevadas, ou menos, e puras segundo a natureza elevada do espírito que as recebe e segundo a intensidade das ondas fluídicas.

“A música terrestre não é, portanto, comparável à música do espaço. A primeira dá uma satisfação da qual sua sensibilidade nervosa tira proveito; a segunda, que é de essência divina, dá alegrias morais, sensações de bem-estar, êxtases tão profundos quanto mais puro seja o próprio receptáculo, isto é, o ser privado de envoltório carnal.”

Massenet

Comentário final
O estudo do espiritismo em suas relações com a arte encerra os mais amplos problemas do pensamento e da vida. Ele nos mostra a ascensão do ser na escala das existências e dos mundos em direção a uma concepção sempre mais ampla e mais precisa das regras de harmonia e de beleza, de acordo com as quais todas as coisas são estabelecidas no universo.

Nessa magnífica ascensão, a inteligência cresce pouco a pouco; os germes do bem e do belo nela depositados desenvolvem-se, ao mesmo tempo em que se amplia sua compreensão da lei da eterna beleza.

A alma chega a executar sua melodia pessoal sobre as mil oitavas do imenso teclado do universo; ela é invadida pela harmonia sublime que sintetiza a ação de viver e a interpreta de acordo com seu próprio talento, prova cada vez mais as felicidades que a posse do belo e do verdadeiro proporciona, felicidades que os verdadeiros artistas podem entrever desde este mundo. Assim, o caminho da vida celeste é aberto a todos, e todos podem percorrê-lo através de seus esforços e de seus méritos, chegando à posse desses bens imperecíveis que a bondade de Deus nos reserva.

A lei soberana, o objetivo supremo do universo é, portanto, o belo.

Todos os problemas do ser e do destino resumem-se em poucas palavras.

Cada vida deve ser a construção, a realização do belo, o cumprimento da lei.

O ser que chega a uma concepção elevada dessa lei, e de suas aplicações, deve auxiliar todos aqueles que, abaixo dele, transpõem a grandiosa escala das ascensões.

Por seu lado, os seres inferiores devem trabalhar a fim de assegurar a vida material e em seguida tornar possível a liberdade de espírito necessária aos pensadores e aos pesquisadores. Assim afirma-se a imensa solidariedade dos seres, unidos em uma ação comum.

Toda ascensão da vida à perfeição eterna, todo esplendor das leis universais, resumem-se em três palavras: Beleza, sabedoria e Amor!


(do capítulo 6 do livro O espiritismo na arte)

terça-feira, 6 de julho de 2010

MÚSICA E ESPIRITUALIDADE


"A música é um sentimento nobre que eleva o ser
aos céus de suas próprias emoções"

A palavra música vem do grego "mousiqê", que significa "arte das musas". Englobava a poesia, a dança, o canto, a declamação e a matemática.

A música sempre esteve presente nos sons harmoniosos pelo Universo, que, através de seus co-criadores, emocionavam pelo encantamento e profundidade dos timbres e tons através dos tempos.

O monge Hucbalbo, autor do tratado De Harmônica Institutione, estabeleceu a pauta de quatro linhas. Começava-se então a inventar formas de notação musical. Em seguida, o italiano Guido D’Aresso atribuiu às notas seus nomes, tirados das sílabas iniciais de um hino a São João Batista: UT queant laxis (no século XVII o UT passou a ser DO, em homenagem a João Batista Doni), REssomare fibris, MIra gestorum, FAmuli tuorum, SOLve polluti, LAbii reatum e Sancte Ioannes. Daí o surgimento da escala musical conhecida até hoje no Ocidente: do, re, mi, fa, sol, la e si.

O médium e a música

A arte nos aproxima dos encantos que colorem e perfumam os jardins da compreensão. Precisamos perceber o quanto é importante a música elevada em nossos corações. Através dos ventos da melodia, somos direcionados para esferas cada vez mais altas que se somam pela harmonia, que nos inspira a harmonia de novos sentimentos, de novos pensamentos, de ações cada vez mais corretas, ao ritmo que mantém em ordem o tempo do caminhar durante séculos em busca do homem novo que existe em cada um de nós e que vive em sorrisos, esperando-nos por este encontro de paz em paz.

No livro O Consolador, Emmanuel relata que o artista verdadeiro é sempre o médium das belezas eternas e o seu trabalho, em todos os tempos, foi tanger as cordas mais vibráveis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia dos corações para Deus nas suas manifestações supremas de beleza, de sabedoria, de paz e de amor.

Em O Espiritismo na Arte, de Léon Denis, podemos perceber o elo existente entre a música e a mediunidade: "Os grandes músicos terrestres podem, como os outros artistas, receber a inspiração, seja do espaço, seja como resultante de trabalhos anteriores. Trata-se exatamente do mesmo fenômeno que se produz com os outros artistas".

A música é uma impressão especial que invade todo o nosso ser fluídico, mergulha-o no êxtase e na beatitude, fazendo com que ele experimente sensações de júbilo, de quietude, de alegria etc. Já no capítulo "A Música Terrestre", Léon Denis diz: "O canto e a música, em sua íntima união, podem produzir a mais alta impressão. Quando ela é sustentada por nobres palavras, a harmonia musical pode elevar as almas às regiões celestes. É o que se realiza com a música religiosa, com o canto sacro".

Com tais afirmações tem-se a possibilidade de compreender a importância dos grupos, corais e músicos solistas espíritas que contribuem através do canto, da canção elevada, buscando entre as criaturas a divulgação das verdades do Evangelho segundo o Espiritismo. São músicas que nos fazem refletir e, por que não dizer, canções que elucidam os espíritos sobre os vários temas já abordados tantas vezes pela oratória e pela literatura.

A música nos aparece como mais uma opção de luz para a compreensão das questões evolutivas do ser, através da harmonização interna e externa que se movimenta, dando condições para abrirmos campo tanto para receber como para o momento divino da doação. Podemos assim perceber a importância da música não só na doutrina espírita, como também, a importância em outros segmentos e desses valiosos trabalhadores que atuam com muito amor dentro das doutrinas espiritualistas.

A música já foi comprovada cientificamente como fonte de cura mental, corporal e espiritual, estendendo-se para vários pontos do mundo, onde é conhecida como "musicoterapia". Técnicas como Nível Aumentativo, Nível Intensivo, Nível Auxiliar, entre outras, são de suma importância para o reequilíbrio da criatura (se a mesma fizer sua parte para tal equilíbrio).

Hoje já existem muitas obras importantes onde podemos buscar o estudo detalhado, que abordam este assunto de maneira clara e objetiva, obtendo assim, mais informações sobre os demais processos e estudos destas técnicas. Um exemplo é o livro Definindo Musicoterapia, de Kenneth E. Bruscia.

Música é sentimento!

A música se apresenta como um sublime sentimento que muitos ainda não buscaram ter ouvidos para ouvir, olhos para ver e mãos para tocar, como quem toca as estrelas no céu. Devemos compreender que as canções da vida, na voz da natureza, ecoam em nós a cada instante, através da sinfonia dos ventos, do canto dos pássaros, do findar e recomeçar das ondas, do canto da chuva composto e regido pelo único maestro do Universo.

Cantemos e encantemos nossos mundos, unindo-os num só mundo, num só coração, onde ecoa o canto da paz por toda parte.

ATENÇÃO